Um escritor… escreve. Óbvio? Nem tanto. Em um mundo que adora fabricar celebridades e tornar solvente a imagem humana, é fácil para um escritor – e outros tantos profissionais – se perder pelo caminho e esquecer a que se propôs.
O cara escreve um bom livro, vende um tanto, recebe boas críticas, ganha certa fama e, quando se dá conta, entrou para o ~~mundo literário~~ e tem de lidar com palestras, cursos, eventos, entrevistas, críticas, análises… De repente, não tem mais tempo para fazer o que mais gosta (pelo menos assim devia ser): escrever.
Uma lista do escritor e crítico Edmund Wilson, muito bem humorada, ilustra bem essa situação. Confira a tradução e depois a imagem do aviso:
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Edmund Wilson lamenta que é impossível para ele:
- Ler manuscritos
- Escrever livros e artigos sob encomenda
- Escrever prefácios ou introduções
- Fazer declarações para fins publicitários
- Fazer qualquer tipo de trabalho editorial
- Julgar concursos literários
- Dar entrevistas
- Conduzir cursos educacionais
- Ministrar palestras
- Fazer pronunciamentos ou discursos
- Aparecer na televisão
- Fazer parte de congressos literários
- Responder questionários
- Contribuir em algum painel ou simpósio
- Doar manuscritos para venda
- Doar cópias de seus livros para bibliotecas
- Autografar livros para estranhos
- Ceder o seu nome para ser usado em cabeçalhos
- Fornecer informações sobre ele mesmo
- Fornecer fotografias dele mesmo
- Fornecer opiniões sobre literatura e demais assuntos
(acima, uma ressalva escrita a mão: Também não aceito convites para fazer leituras públicas, a menos que me ofereçam um bom dinheiro. E.W.)
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A princípio ele parece um pouco rabugento com essa lista. Afinal, um escritor pode muito bem participar de uma palestra, dar uma entrevista, autografar seus livros. O problema é que pode sair do controle e ele logo se torna joguete na mão do mercado voraz por imagens e palavras soltas e efêmeras. Escritores devem se concentrar em escrever, desejam ter tempo para e somente para isso. Os encargos que vêm com a fama apenas parecem inevitáveis.
